O Paraguai acaba de dar mais um passo significativo na disputa por capital e talentos internacionais. Em 17 de abril de 2026, o governo do presidente Santiago Peña lançou oficialmente o Investor Pass — um programa de residência permanente direta voltado exclusivamente a investidores estrangeiros. A novidade chega em um momento em que o interesse de brasileiros pelo país nunca foi tão alto: foram mais de 47 mil pedidos de residência apenas em 2025, com projeção de atingir 80 mil ao longo de 2026.
Se você é empresário, investidor ou profissional de alta renda e já considerou o Paraguai como destino para expandir ou proteger seu patrimônio, este artigo explica tudo o que você precisa saber sobre o novo visto, as modalidades disponíveis, os benefícios fiscais atrelados e como se posicionar de forma segura e legal para aproveitar essa janela.
- Lançado em 17 de abril de 2026 pelo governo paraguaio
- Concede residência permanente direta, sem passar pela temporária de 2 anos
- Duas modalidades: US$ 150 mil em turismo ou US$ 200 mil em ações/imóveis
- Tributação de dividendos reduzida de 15% para 8%
- Lucros de maquiladoras isentos de imposto sobre dividendos
- Processo majoritariamente digital, com presença física apenas na etapa final
- Sem exigência de criação mínima de empregos
O que é o Investor Pass e por que ele importa
O Investor Pass é um programa de residência por investimento criado pelo Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai (MIC) em conjunto com a Direção Nacional de Migrações. Sua proposta central é simples: quem investe em setores estratégicos do país passa a ter acesso direto à residência permanente, sem precisar cumprir os dois anos de residência temporária que eram exigidos anteriormente.
O ministro da Indústria e Comércio, Marco Riquelme, explicou durante o lançamento que o programa surgiu de uma demanda concreta do mercado: muitos interessados queriam primeiro se estabelecer no Paraguai para depois desenvolver seus projetos. O novo modelo flexibiliza exatamente isso, vinculando a residência a investimentos em setores que o governo considera estratégicos para o desenvolvimento do país.
Vale destacar que o programa elimina também a exigência de criação de pelo menos cinco empregos diretos, uma barreira que tornava a rota anterior menos atraente para investidores individuais ou pequenos empresários. O processo passa a ser conduzido de forma integrada entre os sistemas migratórios, tributários e de identificação, com trâmite quase inteiramente digital.
As duas modalidades de investimento
O programa oferece duas categorias de acesso, com valores e setores distintos. Entender as diferenças é essencial para escolher a rota mais alinhada ao seu perfil e objetivos.
| Modalidade | Investimento mínimo | Setor | Perfil indicado |
|---|---|---|---|
| Modalidade 1 — Turismo | US$ 150 mil | Projetos turísticos | Empreendedores do setor hoteleiro, lazer e hospitalidade |
| Modalidade 2 — Financeiro/Imobiliário | US$ 200 mil | Ações na bolsa paraguaia ou imóveis | Investidores, gestores de patrimônio, compradores de imóveis |
A modalidade turística é a entrada mais acessível do programa e responde à estratégia do governo de elevar o número de visitantes anuais de 2 milhões para 10 milhões até 2037. Assunção foi recentemente apontada como o melhor destino da América do Sul e Central para visitar em 2026 pela Condé Nast Traveler, o que sinaliza um momentum real para quem queira investir no setor.
Já a modalidade financeira e imobiliária atende a um perfil mais próximo do investidor patrimonial. Comprar imóvel no Paraguai com US$ 200 mil já é uma prática comum entre brasileiros e, agora, essa estratégia passa a vir acompanhada de um benefício migratório concreto. Sobre o mercado imobiliário paraguaio, vale aprofundar a leitura em nosso artigo Como Comprar Imóvel no Paraguai.
Benefícios fiscais: o que muda para o investidor
O aspecto que mais chama a atenção no Investor Pass vai além da residência em si. Os incentivos tributários atrelados ao programa são igualmente relevantes. Quem obtiver o passe passa a ter acesso a um tratamento fiscal mais vantajoso em dois pontos específicos:
Além disso, o Paraguai opera com sistema tributário territorial: renda gerada fora do país não é tributada localmente. Isso significa que um residente paraguaio com clientes internacionais ou investimentos no exterior não paga imposto paraguaio sobre esses rendimentos, o que se complementa bem com os benefícios do Investor Pass. Para entender o sistema 10-10-10 em detalhes, recomendamos nosso artigo sobre o sistema tributário do Paraguai.
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📲 Falar com o Dr. Lucas BonfimComo funciona o processo na prática
Uma das principais novidades operacionais do Investor Pass é a digitalização do processo. Diferentemente das rotas tradicionais de residência, que exigiam diversas etapas presenciais em órgãos paraguaios, o novo programa concentra o trâmite em um sistema único que integra os processos migratórios, tributários e de identificação.
Defina se o aporte será em turismo (US$ 150 mil) ou no setor financeiro/imobiliário (US$ 200 mil). Reúna a documentação que comprova a natureza e o montante do investimento.
O requerimento é iniciado por meio do sistema unificado MIC + Migraciones, com upload de documentos e validação eletrônica. A maior parte do trâmite é concluída sem sair do Brasil.
As autoridades paraguaias avaliam a documentação e o enquadramento do investimento nas categorias elegíveis. O sistema promete agilidade maior do que os processos convencionais.
A única etapa que exige deslocamento ao Paraguai é a emissão da carteira de identidade paraguaia. Uma viagem pontual para formalizar um status de residência permanente — sem a burocracia das vias anteriores.
Segundo informações do programa, o investidor pode manter sua residência com presença mínima no país — com entrada exigida apenas uma vez a cada três anos.
Investor Pass x Visto Sauce: qual a diferença?
Uma dúvida natural para quem já conhece o ecossistema paraguaio é entender como o Investor Pass se diferencia do Visto Sauce (SUACE), que também oferece residência por investimento. As diferenças são relevantes:
| Critério | Investor Pass | Visto Sauce (SUACE) |
|---|---|---|
| Investimento mínimo | US$ 150 mil (turismo) / US$ 200 mil (financeiro/imóvel) | US$ 70 mil ao longo de 10 anos |
| Criação de empregos | Não exigida | 5 empregos diretos exigidos |
| Tipo de residência | Permanente direta | Permanente direta (via empresa) |
| Foco setorial | Turismo, ações ou imóveis | Atividade empresarial ampla |
| Benefício de dividendos | 8% (reduzido pelo programa) | Alíquota padrão (15% para estrangeiros) |
Para quem tem capital disponível e quer uma via rápida, sem a necessidade de estruturar uma operação empresarial com geração de empregos, o Investor Pass tende a ser mais direto. Já o Visto Sauce continua sendo a opção mais eficiente para quem pretende abrir uma empresa operacional no Paraguai com custo de entrada menor.
De todo modo, a escolha entre as duas rotas, ou a combinação de ambas, depende do perfil patrimonial, dos objetivos do investidor e do tipo de estrutura mais adequada para cada situação. Para ter clareza sobre as alternativas de domicílio fiscal no Paraguai, a orientação de um especialista é indispensável.
Por que o momento é estratégico para brasileiros
O lançamento do Investor Pass não foi aleatório. O governo paraguaio identificou uma janela precisa: o Brasil caminha para mudanças significativas na tributação, com a reforma tributária em implementação, o debate sobre IOF em criptoativos ainda em aberto e a progressividade do ITCMD sobre heranças sendo implementada gradualmente pelos estados. Nesse contexto, o Paraguai está respondendo a uma demanda real e crescente.
Segundo dados do Banco Central del Paraguay (BCP), o país mantém uma das economias de crescimento mais consistente da América do Sul, com inflação controlada e estabilidade monetária. Combinado com o sistema tributário 10-10-10 (IRACIS, IVA e IRP todos a 10%), a estrutura paraguaia oferece uma das cargas tributárias mais competitivas do Mercosul.
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O Investor Pass é mais uma prova de que o Paraguai está se consolidando como o destino mais competitivo da América do Sul para empresários e investidores brasileiros. Aproveitar essa oportunidade de forma segura e eficiente exige análise individualizada de perfil, objetivos e estrutura jurídica. O Dr. Lucas Bonfim oferece consulta online de 45 minutos para mapear a melhor rota para o seu caso.
Perguntas Frequentes sobre o Investor Pass do Paraguai
O que é o Investor Pass do Paraguai?
O Investor Pass é um programa criado pelo governo paraguaio em 17 de abril de 2026 que concede residência permanente direta a estrangeiros que realizem investimentos em setores estratégicos do país. O programa oferece duas modalidades: US$ 150 mil em projetos turísticos ou US$ 200 mil em ações da bolsa paraguaia ou imóveis.
Qual é o valor mínimo de investimento para obter o Investor Pass?
O valor mínimo é de US$ 150 mil para investimentos em projetos turísticos, que é a modalidade de entrada mais acessível. Para quem prefere alocar em mercado financeiro (bolsa de valores paraguaia) ou no setor imobiliário, o aporte mínimo é de US$ 200 mil.
Quais são os benefícios fiscais do Investor Pass?
Os titulares do Investor Pass passam a ter a alíquota sobre dividendos reduzida de 15% para 8%, a mesma taxa aplicada a cidadãos paraguaios. Além disso, lucros obtidos por meio de empresas que operam sob a Lei Maquila ficam completamente isentos de imposto sobre dividendos. O Paraguai também adota tributação territorial, ou seja, renda gerada fora do país não é tributada localmente.
Preciso morar no Paraguai para manter o Investor Pass?
Não é necessário residir permanentemente no Paraguai. O investidor pode manter a residência com presença mínima no país, com exigência de entrada apenas uma vez a cada três anos. A única etapa que requer presença física é a emissão da carteira de identidade paraguaia ao final do processo.
Qual a diferença entre o Investor Pass e o Visto Sauce (SUACE)?
O Investor Pass não exige a criação de empregos diretos e oferece redução da alíquota de dividendos para 8%. O Visto Sauce (SUACE) exige a abertura de empresa com ao menos cinco empregos paraguaios e investimento de US$ 70 mil ao longo de dez anos, com valor de entrada menor, mas com obrigações operacionais maiores. A melhor escolha depende do perfil de cada investidor.
O Investor Pass garante residência fiscal no Paraguai automaticamente?
Não. Residência migratória e residência fiscal são conceitos distintos. Ter a cédula paraguaia pelo Investor Pass não significa, por si só, saída do sistema tributário brasileiro. Para que a mudança de domicílio fiscal tenha efeito real, é necessário formalizar a saída definitiva do Brasil junto à Receita Federal e obter o RUC paraguaio, entre outros passos. Essa etapa exige orientação jurídica especializada.
Brasileiros são os principais beneficiários do Investor Pass?
Sim. Os brasileiros representam a maior parte dos requerentes de residência no Paraguai, com mais de 47 mil pedidos em 2025 e projeção de 80 mil em 2026. O programa foi lançado em um contexto de forte demanda brasileira, impulsionada pela carga tributária crescente no Brasil e pela atratividade do sistema fiscal paraguaio.




